A Segunda Guerra Mundial e o Nazi-Fascismo

Prof.º Leonardo Castro


Durante o entre-guerras, estruturou-se na Europa um fenômeno político conhecido como nazi-fascismo – movimento nacionalista, antidemocrático, autoritarista. Esse fenômeno foi uma reação nacionalista às frustrações da 1ª Guerra Mundial, buscando fortalecer o Estado intervencionista e combater a ameaça revolucionária de esquerda.


De fato, a Primeira Guerra Mundial – “feita para pôr fim a todas as guerras” - transformou-se no ponto de partida de novos e irreconciliáveis conflitos, pois gerou um forte sentimento revanchista principalmente por parte da Alemanha. As contradições se aguçaram com os efeitos da Grande Depressão ou Crise de 1929, uma grande recessão econômica que teve início em 1929 e que persistiu ao longo da década de 1930, sendo considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX que causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial.





Texto e Contexto



Tratado de Versalhes

Artigo 159 – As forças militares alemães serão desmobilizadas e reduzidas como se prescreve adiante.


Artigo 160 – Numa data que não deve ser posterior a 31 de março de 1920, o Exército Alemão não deve compreender mais que sete divisões de infantaria e três divisões de cavalaria.
Depois daquela data, o número total de efetivos no Exército dos Estados que constituem a Alemanha, não deve exceder de cem mil homens...


Artigo 198 – As forças armadas da Alemanha não devem incluir quaisquer forças militares ou navais...


Artigo 231 – Os Governos Aliados e Associados afirmam e a Alemanha aceita a sua responsabilidade e de seus Aliados por ter causado todas as perdas e prejuízos a que os Aliados e Governos Associados e seus membros foram sujeitos como uma conseqüência da guerra, imposta a eles pela agressão da Alemanha e de seus aliados.


Artigo 232 – Os Governos Aliados e Associados reconhecem que os recursos da Alemanha não são adequados, depois de levar em conta as diminuições permanentes desses recursos, que resultarão de outros itens deste Tratado, para realizar a indenização completa por todas essas perdas e danos.
(FENTON, Edwin. 32 Problemas na História Universal. São Paulo: Edart, 1995. pp. 134-135.)


Manifestação alemã contra o Tratado de Versalhes em Berlim. “Schlluss mit Versailles”, “Fim com o tratado de Versalhes”, “Tag Von Versailles, tag der Unehre”, “Encontro de Versalhes, encontro da desonra”, “Los von Versailles”, “Livre de Versalhes”... .


Outro fator importante neste contexto foi o Tratado de Versalhes (1919), assinado pelas potências europeias, e que disseminou um forte sentimento nacionalista entre os alemães. Os termos impostos à Alemanha incluiam a perda de uma parte de seu território, a perda de todas as suas colônias, uma restrição ao tamanho do exército (100.000 soldados), indenizações aos países vitoriosos pelos prejuízos da guerra e a Alemanha foi considerada a culpada pela 1ª Guerra Mundial.

A política do Fascismo italiano de Benito Mussolini e do Nazismo alemão de Adolf Hitler foi fundamentada nos seguintes princípios:

O nacionalismo é um sentimento de valorização de uma nação, principalmente do ponto de vista ideológico; há a exaltação nacional, a nação está acima de tudo e é o bem supremo perante o Estado e para o povo.

O totalitarismo é um principio ou um regime político segundo o qual é legitimo o monopólio do Estado sobre o poder político, e que se estende a todos os aspectos da sociedade. Pode ser resultado da incorporação do Estado por um Partido (único e centralizador) ou da extensão natural das instituições estatais. É o resultado de extremismos ideológicos e uma paralela desintegração da sociedade civil organizada.

O autoritarismo é um principio ou regime político em que é postulado o princípio da autoridade que é aplicada com freqüência em detrimento das liberdades individuais. Pode ser definido como um comportamento em que uma instituição ou pessoa se excede no exercício da autoridade de que lhe foi investida. Na Alemanha nazista e na Itália fascista estava relacionada a autoridade suprema de seus líderes, o Duce (italiano), Benito Mussolini, e o Führer (alemão), Adolf Hitler .

O Militarismo é a idéia de que uma sociedade estará mais segura e protegida se for grande sua capacidade bélica de defesa e ataque. O Militarismo também está associado a organização do Estado de forma militarista, isto é, de forma rigida, autoritária e por vez hierarquica. Tal princípio gera um armamentismo desenfreado e a expansão nacional, sobretudo, através de guerras de conquista. Na Alemanha e na Itália surgiram associações Paramilitares, ou seja, grupos com fins político-partidários ou ideológicos formados por membros fardados e armados, que usam táticas policiais e/ou militares para conseguir seus objetivos.

O anticomunismo é um conjunto de idéias e tendências intelectuais e políticas que possuem em comum a oposição a idéias, organizações ou governos comunistas. Os anticomunistas buscam evitar a eclosão de revoluções comunistas e repudiam conceitos fundamentais do comunismo, tais como a luta de classes como motor da História e a idéia de inevitabilidade do comunismo como fruto dos processos históricos.





O fascismo italiano

O fascismo é uma doutrina totalitária desenvolvida por Benito Mussolini na Itália, a partir de 1919, durante seu governo (1922–1943 e 1943–1945). A expressão Fascismo deriva de fascio, que nos tempos do Império Romano era um símbolo dos magistrados: um machado cujo cabo era rodeado de varas, simbolizando o poder do Estado e a unidade do povo.



Benito Mussolini, jornalista e agitador político italiano, fundou o partido fascista, originário de um movimento paramilitar que ele mesmo criara para combater as agitações e as greves organizadas pelos socialistas e outros movimentos de esquerda, o Fasci di Combattimento (Esquadras de Combate) ou Squadres (Esquadras) a milícia armada conhecida como camisas negras. Atacando adversários comunistas, ganharam apoio da elite e da classe média.


Em 1919, em Milão, Benito Mussolini fundou o Partido Fascista. Em 1922, Mussolini, diante da crise econômica e política italiana, fez o assalto ao poder. Com os camisas negras, marchou sobre Roma exigindo o poder. O rei Vítor Emanuel III cedeu a pressão e o líder fascista tornou-se primeiro ministro.


Em 1924, os fascistas ganharam maioria no parlamento italiano. Em 1925, Mussolini intitula-se Duce, o condutor supremo da Itália.



Mussolini liderando um grupo de Camisas Negras em Roma, 1922.


O Fascismo italiano assumiu que a natureza do Estado é superior à soma dos indivíduos que o compõem e que eles existem para o Estado, em vez de o Estado existir para os servir.


Traço característico do Fascismo foi o Corporativismo de Estado, realizado através de um Partido Único e de Sindicatos Nacionais subordinados ao Estado. A atividade privada era empregue pelo Estado, o qual podia decidir tudo sobre suas atividades de acordo com os planos superiormente estabelecidos.


O fascismo foi de certa forma o resultado de um sentimento geral de ansiedade e medo dentro da classe média na Itália do pós-guerra, que surgiu no seguimento da convergência de pressões interrelacionadas de ordem económica, política e cultural.


O fascismo procurou estabelecer um novo sistema político e económico que combinava o corporativismo, o totalitarismo, nacionalismo e anti-comunismo num estado voltado a unir todas as classes num sistema capitalista no qual o estado detinha o controle da organização de indústrias vitais. Sob a bandeira do nacionalismo e poder estatal, o Fascismo parecia buscar o glorioso passado romano.


O feito político mais duradouro deste regime foi talvez o Tratado de Latrão de Fevereiro de 1929 entre o estado italiano e a Santa Sé, pelo qual ao Papado foi concedida a soberania sobre a Cidade do Vaticano e recebeu a garantia do livre exercício do Catolicismo como a única religião do estado em toda a Itália e o apoio do clero italiano aos fascistas.

Mussolini e Hitler, Roma, Itália, 1935.



A intervenção da Itália (com início em 10 de Junho de 1940) na Segunda Guerra Mundial como aliada da Alemanha trouxe o desastre militar e resultou na perda das colónias no norte e leste africanos bem como a invasão americano-britânica da Sicília em Julho de 1943 e o sul de Itália em Setembro de 1943.


Mussolini, e o símbolo do fascio à sua esquerda, e Hitler, com o estandarte nazista à sua direita. Selo alemão, 1941.


Mussolini foi demitido como primeiro-ministro pelo rei Vítor Emanuel III da Itália a 25 de Julho de 1943, e subsequentemente preso. Foi libertado em Setembro por pára-quedistas alemães e instalado como chefe de uma “República Social Italiana” em Salo, no norte da Itália, então ocupada pela Alemanha. No desenrolar da guera, Mussolini foi executado em 28 de Abril de 1945 por guerrilheiros.







O nazismo alemão

A derrota alemã na 1ª Guerra e a humilhação decorrente do Tratado de Versalhes contribuíram para o êxito do nazismo na Alemanha.




O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista, foi um partido político levado ao poder na Alemanha por Adolf Hitler em 1933 e que estabeleceu o Der Dritten Reich (Terceiro Império) Alemão. O termo Nazista é uma contração da palavra alemã (NA)tionalso(ZI)alist (Nacional Socialista).



A origem do Partido Nazista remonta a 1919, quando Anton Drexler, um serralheiro de Munique, com Dietrich Eckart, fundaram o Partido dos trabalhadores alemães (Deutsche Arbeiterpartei, abreviado DAP). Este partido foi o predecessor oficial do Partido Nazista. A fim de investigar o DAP, o Serviço de Informação do exército alemão enviou um jovem cabo, Adolf Hitler, para observar as atividades do partido. No entanto, Hitler ficou impressionado com o Partido, e juntou-se a ele como membro.



Adolf Hitler tornou-se o chefe do partido em 29 de julho de 1921 e mudou seu nome para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (o NSDAP) e adotou a suástica ou “Hakenkreuz” (“cruz curva”) como símbolo do Partido usado na bandeira, distintivos e braçadeiras. Um grupo paramilitar chamado de Seção de Assalto (Sturmabteilung, a SA) foi fundada naquele mesmo ano, e começou uma política de expansão do partido nazista através da intimidação e ataques violentos a outros partidos políticos.





A bandeira do Partido Nazista com a suástica ao centro.

Poster do Partido Nazista. Hitler empunha a bandeira nazista. "Es Lebe Deutschland!" ("Viva Alemanha!"). 1930.


O desastre para o partido nazista aconteceu em 1923, quando os nazistas tentaram tomar o poder do governo da Baviera em um golpe, conhecido como o “Putsch de Munique” ou “da cervejaria”, que foi esmagado pelas autoridades de Munique. Hitler e seus conselheiros foram julgados e presos por traição.






Texto e Contexto

Programa do Partido Nazista Alemão


“1. Exigimos a reunião de todos os alemães numa grande Alemanha;
3. Exigimos terras (colônias) para alimentar o nosso povo e nela instalar a nossa população excedente;
4. Somente os membros do povo podem ser cidadãos do Estado. Só pode ser membro do povo aquele que possui sangue alemão, sem consideração de credo. Nenhum judeu, portanto, pode ser membro do povo.
8. Toda imigração suplementar de não-alemães deve ser impedida. Exigimos que todos os não-alemães entrados na Alemanha desde 2 de agosto de 1914 sejam obrigados a deixar o Reich imediatamente.”
(Programa do Partido Nazista Alemão, Munique, 24 de fevereiro de 1920).





Em seguida à liberação de Hitler, em 1925, o NSDAP foi refundado. O Partido nazista foi fundamentado pelo nacional-socialismo alemão, cujas bases ideológicas foram: o nacionalismo, o autoritarismo, a expansão militar e as doutrinas racistas, segundo as quais os povos nórdicos — os chamados “arianos puros” (em alemão, “reinarisch”) — seriam física e culturalmente superiores.


O principal ponto da ideologia nazista é o racismo. Para os nazistas os alemães pertencem a uma “raça-mestra” (“Herrenvolk”, em alemão), isto é, superior a todas as outras que deveriam ser dominadas ou exterminadas.


Algumas das manifestações do racismo nazista foram: Anti-semitismo, a perseguição aos judeus, que culminou no Holocausto, o Nacionalismo étnico, a nação alemã devia ser formada uinicamente por alemães e uma forte crença na necessidade de manter pura a “raça alemã”.


Como outros regimes fascistas, o regime nazista punha ênfase no anticomunismo e no princípio do líder (Führerprinzip). Este é um princípio-chave na ideologia fascista, segundo o qual se considera o líder como a corporização do movimento e da nação, havendo uma exaltação e idolatria ao líder.


Em seu Livro Mein Kampf (Minha Luta), Hitler fundamenta o nazismo: o nacionalismo exacerbado, a superioridade da raça branca ariana, o totalitarismo, o anticomunismo e o princípio do espaço vital (Lebensraun) – o domínio de territórios necessários para o desenvolvimento alemão.






Texto e Contexto

Mein Kampf (Minha Luta)


“O objetivo da nossa luta deve ser o da garantia da existência e da multiplicação de nossa raça e do nosso povo, da subsistência de seus filhos e da pureza do sangue, da liberdade e independência da Pátria, a fim de que o povo germânico possa amadurecer para realizar a missão que o criador do universo a ele destinou.”
(Minha Luta, Primeira Parte, Capítulo VIII, Começo de minha atividade política.)

“O homem que desconhece e menospreza as leis raciais (...) impede a marcha triunfal da melhor das raças, com isso estreitando também a condição primordial de todo o progresso humano”

“O que hoje se apresenta a nós em matéria de cultura humana, de resultados colhidos no terreno da arte, da ciência e da técnica, é quase que exclusivamente produto da criação do Ariano. É sobre tal fato, porém, que devemos apoiar a conclusão de ter sido ele o fundador exclusivo de uma humanidade superior.”
(Minha Luta, Primeira Parte, Capítulo XI, Povo e Raça.)

“(...) o Estado deve ter como seu mais alto objetivo a conservação e aperfeiçoamento da raça, base de todos os progressos culturais da humanidade.”
(Minha Luta, Segunda Parte, Capítulo II, O Estado)

(HITLER, Adolf. Minha Luta. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1934. pp. 184-327.)




A ideologia nazista foi perfeitamente corporificada pela organização paramilitar do partido nazista conhecida como SS ou Seção de Segurança (Schutzstaffel, em alemão) que tinha como finalidade inicial proteger Hitler e os líderes nazistas. Os nazistas consideravam a SS uma unidade de elite, cujos membros eram selecionados segundo critérios raciais e ideológicos.



Himmler e Hitler, em revista de tropas da SS em Berlim, 1938.




Heinrich Himmler, comandante da SS (Reichsführer-SS), um dos mais poderosos homens da Alemanha Nazista, estabeleceu que os membros da SS deviam ser todos absolutamente arianos puros. Os recrutas candidatos a SS passavam por pesquisas genealógicas. Ninguém poderia ser membro da SS até que o Departamento de Raça e Recolonização (Rasse und Siedlungshauptamt, RuSHA) comprovasse que o recruta possuía ancestrais alemães puros que remontavam ao ano de 1750, estando, assim, isento de qualquer impureza de sangue, com supostos traços de judeu, eslavo ou outros grupos raciais considerados inferiores.


A SS era uma organização complexa que exercia a autoridade suprema sobre as polícias civis, criminais e secretas dentro da Alemanha e nas áreas ocupadas; tinha também o controle direto sobre os campos de concentração. Havia ainda a Waffen-SS (SS-Armada), a tropa militar de elite do Terceiro Reich formada por membros da SS.


Com a ascenção do nazismo, iniciou-se a nazificação da Alemanha. Nas escolas e universidades todos os professores foram compelidos a se filiarem ao Partido Nazista e a ensinar o que lhes era ordenado. As universidades alemãs, outrora famosas por suas pesquisas científicas, tornaram-se centros de ciência racista. Fora das escolas, todos os jovens alemães, desde os 6 anos de idade, foram induzidos a se filiarem à Juventude Hitlerista (Hitlerjugend). Aos 18 anos, os rapazes eram conscritos a servir (trabalhando ou no exército) e as moças se alistavam na Liga das Jovens Alemãs (a Bund deutscher Mädel, BdM), onde aprendiam os afazeres domésticos e se preparavam para a maternidade para serem boas mães de futuros “arianos puros”. Durante esses anos, os jovens ficavam sob uma sistemática doutrinação na ideologia nazista.


Pôster da BdM, 1940. “Mãe e Criança”.




Juventude Hitlerista em marcha em Berlim, 1938.


Pôster da Juventude Hitlerista, 1940. “Jovem sirva ao Führer. Todos com 10 anos de idade na Juventude Hitlerista”.




O Anti-semitismo

Sustentando-se no nacionalismo étnico e na xenofobia, os nazistas exaltavam o povo germânico, apresentando uma forte apatia ou indiferença para com imigrantes, estrangeiros e outras minorias sociais como os judeus.


O anti-semitismo era comum na Europa dos anos 20 e 30 do século XX. O anti-semitismo fanático de Adolf Hitler ficou bem evidente no seu livro Mein Kampf.





Texto e Contexto

Mein Kampf (Minha Luta)



“(...) o judeu não é movido por outra coisa senão pelo egoísmo individual nu e cru (...) Por isso também é que o povo judeu, apesar de suas aparentes aptidões intelectuais, permanece sem nenhuma cultura verdadeira e, sobretudo, sem cultura própria. O que ele hoje apresenta, como pseudo-civilização, é o patrimônio de outros povos, já corrompidos nas suas mãos.”
(HITLER, Adolf. Minha Luta. Primeira Parte, Capítulo XI, Povo e Raça. Porto Alegre: Livraria do Globo, 1934. p. 255.)



A perseguição racista aos judeus esteve presente entre os nazistas desde o início do Partido e se radicalizou quando este chegou ao poder.




"Der ewige Jude" (“O eterno Judeu”; 1940), poster do mais famoso filme anti-semita da propaganda nazista. Mostra os judeus da Polônia como corruptos, ladrões, preguiçosos, perversos e feios.



Em 1935, são promulgadas as Leis de Nuremberg (Nürnberger Gesetze), isto é, as leis anti-semitas adotadas pela Alemanha Nazista que excluíam os judeus da vida pública na Alemanha.





Texto e Contexto

Leis de Nuremberg


“É cidadão alemão unicamente aquele que possui nacionalidade alemã ou que é de sangue alemão e quer provar, por sua conduta, que deseja servir fielmente ao Reich e ao povo alemão”
(Lei de Cidadania do Reich, 1935)


“Ficam proibidos os casamentos entre judeus e alemães, ou pessoas de sangue alemão.”
(Lei de para a Proteção do Sangue e Honra Alemãs, 1935)




Na noite de 9 de novembro de 1938, em diversas partes da Alemanha e da Áustria, ocorreu A Noite dos cristais quebrados (kristallnacht, em alemão) que foram os atos de violência de destruições de sinagogas, de lojas, de habitações e de agressões contra as pessoas identificadas como judias.


Em 1941, os nazistas elaboraram o plano para a Solução Final da questão judaica (Endlösung der Judenfrage), uma política xenófoba e genocida contra a população judaica que levou milhares de judeus ao exílio e milhões aos campos de concentração e a morte, o Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.


Para a execução dos planos nazistas foram criados Campos de concentração por toda a Europa, a maioria na Polónia. Campos de concentração também existiram na própria Alemanha. Os prisioneiros destes campos morreram por causa das más condições de vida e, sobretudo, por execução.




Lojas de Judeus com as vitrines quebradas numa rua de Berlim durante a Noite dos Cristais Quebrados, Alemanha, 1938.


O mais famoso campo de concentração nazista foi o Auschwitz-Birkenau, que fora um grupo de campos de concentração localizados no sul da Polônia, símbolos do Holocausto nazista. Em Auschwitz-Birkenau, combinava-se trabalho escravo com o extermínio sistemático de seus prisioneiros. O número total de mortes em Auschwitz-Birkenau se estima em um milhão e meio de pessoas.


Os cárceres de Auschwitz-Birkenau onde ficavam os judeus antes de serem exterminados. Polônia, foto feita em 2001.



A partir da Segunda Guerra Mundial o termo Holocausto (com inicial maiúscula) passou a ser utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de judeus e outros grupos considerados indesejados pelo regime nazista de Adolf Hitler, como militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos e ativistas políticos.




A Ascensão do nazismo

As eleições de 1932 da República de Weimar, surgida após a 1ª Guerra, fizeram com que o Partido Nacional-socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) fosse o de maior representação no Reichstag.


Com a maioria nazista no Reichstag (o Parlamento alemão), Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha. No poder, ele revogou a Constituição e extinguiu o cargo de presidente e os partidos políticos alemães, assumiu o poder e autoproclamou-se Führer (Líder) do Terceiro Reich.


A nazificação alemã levou ao armamentismo e ao militarismo, reativando a indústria bélica visando-se à expansão territorial, à conquista do espaço vital; foi o estopim da Segunda Guerra Mundial.


Em 1934, a Alemanha anexou a Áustria (Anschluss), sob o pretexto de realizar uma união germânica. Em seguida, anexou territórios ao sul da Tchecoslováquia (os sudetos), sob o pretexto de que era uma região de população predominantemente alemã.


Em 13 de janeiro de 1935, o nazismo obteve seu primeiro sucesso internacional. O Sarre, antigo território alemão, sob dominio francês após a 1ª Guerra, foi reincorporado ao Reich após um plebiscito junto à população. Em março de 1935, Hitler abalava a Europa com duas declarações: no dia 9, anunciou a criação da Luftwaffe (Força Aérea) e, no dia 16, o restabelecimento do serviço militar obrigatório, elevando os efetivos de Wehrmacht (Força de Defesa), de 100.000 para 500.000 homens.





Texto e Contexto

Pacto Anti-Comintern

O Governo Imperial do Japão e o Governo da Alemanha, tendo conhecimento do fato que o objetivo da Internacional Comunista (o Komintern) é a desintegração dos, e a violência contra, os Estados existentes pelo exercício de todos os meios a seu comando, Acreditando que a interferência da Internacional Comunista nos negócios internos das nações não só se arrisca a paz interna destas, mas ameaça a paz geral do mundo, Desejando a cooperação para a defesa contra a desintegração comunista, concordam como se segue.


Artigo I
Os Estados Contratantes acima concordam que eles manterão um ao outro informado relativo às atividades da Internacional Comunista, e estabeleceram as medidas necessárias de defesa.


Artigo II
Os Estados Contratantes acima convidarão outros Estados cuja paz interna está ameaçada pela Internacional Comunista, a adotar medidas defensivas diante deste Pacto.


Berlim, 25 de novembro, de 1936.




Em 1936 foi celebrado entre a Alemanha nazista e o Japão o Pacto Anti-Komintern. O tratado opunha-se à Internacional Comunista (Komintern) em geral e, em particular, à União Soviética. Visava conter o avanço do comunismo no Ocidente, pela Alemanha, e no Oriente, pelo Japão. Em 1937, a Itália aderiu ao Pacto, formando o grupo que mais tarde seria conhecido como o Eixo.

Hitler aproximou-se do ditador da União Soviética Stalin, assinando em agosto de 1939 um Pacto germano-soviético de não-agressão e neutralidade por cinco anos, que lhe garantiria, em caso de guerra no Ocidente, a neutralidade da União Soviética. Este pacto foi logo rompido pelos nazistas em 1941.


A política internacional tornou-se conflituosa. Formou-se ainda na década de 1930 o Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Os três países (Alemanha, Itália e Japão) iniciavam seus projetos expansionistas.





A Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade. As principais potências aliadas eram a França, a Grã-Bretanha, a União Soviética e os Estados Unidos. O Brasil se integrou aos Aliados em 1943. A Alemanha, a Itália e o Japão, por sua vez, perfaziam as forças do Eixo.


Em 1939, Hitler promoveu sua política expansionista invadindo a Polônia. Inglaterra e França reagiram, iniciando a Segunda Guerra Mundial. Hitler iniciou a Blitzkrieg (guerra relâmpago). Em 1940, a Alemanha ocupou a Holanda, Noruega, Dinamarca e a França.


O fim da guerra iniciou com a entrada dos Estados Unidos no conflito, após o ataque japonês em Pearl Harbor em 1941. Após o ataque, os norte-americanos entram na guerra, iniciando a derrota do Eixo. O fim da guerra inicia em 1944, com o desembarque dos aliados na Normandia, norte da França – o Dia D. Os Aliados anularam as forças alemães na frente ocidental, fechando o cerco sobre o Terceiro Reich.



A ofensiva do Eixo Roma-Berlim-Tóquio na Segunda Guerra Mundial (1939–1945).



Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, o Partido Nazista foi declarado ilegal e seus líderes presos e julgados por crimes contra a humanidade nos Julgamentos de Nuremberg, ante o Tribunal Militar Internacional (“International Military Tribunal”) em 20 de novembro de 1945, na cidade alemã de Nuremberg.



Julgamento de Nuremberg. À frente, de cima para baixo: Hermann Göring, Rudolf Heß, Joachim von Ribbentrop, Wilhelm Keitel. Atrás, de cima para baixo: Karl Dönitz, Erich Raeder, Baldur von Schirach, Fritz Sauckel.



Após o fim da guerra ocorreu a Conferência de Potsdam, na Alemanha, entre Julho e Agosto de 1945. Os participantes foram os vitoriosos aliados, Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética, que se juntaram para decidir como administrar a Alemanha, que se tinha rendido incondicionalmente nove semanas antes, no dia 8 de Maio. Os objetivos da conferência incluíram igualmente o estabelecimento da ordem pós-guerra, assuntos relacionados com tratados de paz.


Mas a principal decisão desta conferência foi a divisão da Alemanha e da capital Berlim em quatro zonas de ocupação: inglesa, francesa, norte-americana e soviética. Mais tarde as áreas inglesa, francesa e norte-americana transformaram-se na República Federal da Alemanha ou RFA, a Alemanha Ocidental (em alemão: Bundesrepublik Deutschland ou BRD). E a parte soviética transformou-se na República Democrática da Alemanha ou RDA, a Alemanha Oriental (em alemão Deutsche Demokratische Republik ou DDR). Tal divisão sobreviveu até o final dos anos 80, quando a alemanha conseguiu a sua reunificação.





Texto Complementar


O Fascismo



O Fascismo é em primeiro lugar um nacionalismo exacerbado. A nação, sagrada, é o bem supremo. O seu interesse exigi uma tripla coesão interna, política, social e étnica, e exige também a supressão de qualquer dos antagonismos que a dividem e enfraquecem.


Para que a nação tenha a certeza de poder viver e prosperar, o Estado deve ser forte. A centralização suprimirá os particularismos regionais; o Estado fará prevalecer o interesse coletivo sobre os dos indivíduos, dos grupos profissionais ou das classes sociais. (...) O Estado será policial e a Justiça estará às suas ordens.


O Estado forte encarna-se num chefe, providencial, guia e salvador da nação, erguido da massa pelo impulso da sua personalidade; a sua palavra é a lei e é também a verdade.
(MICHEL, Henri. Os Fascismos. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1977. pp. 13-20.)



Auschwitz-Birkenau

Ao chegar a um campo de concentração, os prisioneiros eram despidos; todo seu cabelo era cortado. Recebiam uma camisa e uma saia ou uma calça de tamanho indiscriminado. Em seguida eram agrupados e distribuídos como animais, sem qualquer respeito pela idade ou estado de saúde.

Em vários campos – Auschwitz foi o pior deles – testaram injeções destinadas a produzir esterilidade em mulheres, experiências tão devastadoras, tanto físicas como mentalmente, que as sobreviventes só podiam ser enviadas para os fornos de Birkenau.
(FOOT, M.R.D. As atrocidades nazistas. In: Século XX. São Paulo: Abril Editora, 1968. p. 2060)

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