O Café no Brasil

Prof.º Leonardo Castro



O desempenho da economia durante o Primeiro Reinado e a Regência foi marcado por dificuldades, com os preços do açúcar, algodão, fumo, arroz e couro em baixa. Para superar tais dificuldades, o governo buscou pelo incentivo a produção de um produto novo. Esse produto foi o café – a Coffea arábica –, já difundido na América e na Ásia.




O Café – a Coffea arábica.


O café entrou no Brasil no início do século XVIII pela região Norte, trazido das Guianas ao Estado do Pará, e aos poucos se espalhou pelo país. Mas foi nas primeiras décadas do século XIX que seu cultivo impulsionou, no Rio de Janeiro, nas áreas do Vale do Paraiba. A expansão cafeeira logo atingiu São Paulo e Minas Gerais.


Essa expansão apoiou-se em condições favoráveis existentes: demanda crescente pelo produto no mercado internacional (Estados Unidos e Europa) e disponibilidades de recursos no Brasil – terras, escravos, equipamentos e meios de transporte.






O Trabalho nos cafezais após a Abolição



A produção do café se estabeleceu na estrutura da economia agrícola de tipo plantation, ou seja, a grande propriedade escravista, monocultora e exportadora. Assim, inicialmente foi utilizado a mão-de-obra escrava do africano nos cafezais.



Escravos carregam sacas de café. Aquarela do dinamarquês Paul Harro-Harring, 1840. Instituto Moreira Salles, São Paulo.


Quando foi proibido o tráfico negreiro pela Lei Eusébio de Queiroz (1850), e a mão-de-obra escrava começou a escassear, substituiu-se o trabalho servil pelo trabalho assalariado de imigrantes estrangeiros.







Imigrantes na colheita de café em fazenda do interior de São Paulo, início do século XX. Cartão Postal, de 4 de maio de 1915.


Na região cafeeira, os imigrantes foram aproveitados para trabalhar na lavoura do café, trabalhando como mão-de-obra assalariada ou sob alguma forma de parceria – quando a produção é repartida entre o colono e o fazendeiro.


A imigração européia para o Brasil teve seu ápice o período de 1880 e 1930. Os imigrantes supriram a lavoura do trabalho necessário. Nos cafézais, todos trabalhavam: homens, mulheres e até crianças.


No início do século XX, vieram também asiáticos, chineses e japoneses. Em relação aos japoneses, o Kasato Maru é considerado pela historiografia oficial o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, em 18 de Junho de 1908. Chegou ao Porto de Santos trazendo 165 famílias, que vinham trabalhar nos cafezais do oeste paulista.





Opulência e devastação ambiental



O sucesso do café foi decisivo para melhorar as condições econômicas do país e solidificar o núcleo do poder do Império, formado pelas oligarquias agrárias do Sudeste. O café gerou recursos e atraiu novos capitais para outros investimentos em atividades não-agrícolas de mercado interno, tanto de infra-estrutura como de consumo. Em São Paulo, o café promoveu o período da Belle Epoque.


Os sinais de prosperidade da riqueza do café ficou evidente nas melhorias de infra-estrutura no Rio de Janeiro e São Paulo, sobretudo pela introdução sistemática das ferrovias, um meio de transporte mais rápido e barato para os negócios dos cafeicultores.




Antiga residência de Fabio Prado e seu interior, em estilo Belle Epoque, símbolo da prosperidade paulista. Atual Museu da Casa Brasileira.


A cafeicultura também gerou uma grande diversidade nos negócios e atividades econômicas: surgiram fabricas de tecidos, ferramentas e bebidas; fundições, bancos, companhias de navegação, empresas de serviços de água, gás, iluminação e transporte urbano.




Trens e ferrovias eram símbolos da modernidade gerada pela riqueza do café. São Paulo, 1907.


Esses negócios resultavam da aplicação pelos cafeicultores de parte dos lucros obtidos com suas atividades. Mas foi também resultado da presença cada vez maior do capital estrangeiro, sobretudo de investidores ingleses.


Os cafezais foram reponsáveis pela opulência e riqueza da aristocracia brasileira, sobretudo a de São Paulo, mas também o avanço das fazendas de café sobre o território brasileiro promoveu a intensificação da devastação da Mata Atlântica na região sudeste e sul, sendo a principal responsável pela destruição total da vegetação nativa, deixando uma área muito pequena para a preservação de espécies. Em São Paulo, por exemplo, com o desmatamento de até 150 mil hectares por ano, a cobertura vegetal nativa do estado caiu à metade no início do século XX.

Devastação da Mata Atlântica em São Paulo. Em 1500, o Estado de São Paulo era constituído pela Mata Atlântica, mas de 80 % de seu território era de floresta. No início do século XXI, a Mata Atlântica encontra-se reduzida a 7% de seu território.

9 comentários:

  1. Gostaria de parabenizar pelo belissimo trabalho editado neste blog. Material de suma importância a todos nós brasileiros, ainda carentes de nossa própria história e cultura.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Ola professor, gostaria de saber da onde o senho encontrou essa imagem do cartão postal dos imigrantes, agradeço a atenção

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