A América pré-colombiana


Prof.º Leonardo Castro

Os habitantes da América pré-colombiana não são naturais do continente, são alóctones. O provável caminho percorrido por esses homens, originários da Ásia, em direção à América foi o que passa pelo estreito de Bering. Mas há outras possibilidades, como a travessia do Pacífico usando-se as ilhas existentes entre a Ásia e a América do Sul.

Na época da descoberta da América, existiam sociedades complexas divididas em classes sociais com um Estado estruturado e dominador, que impunha tributos. Na América Central, destacaram-se as civilizações Maia e Asteca e na região andina, os Incas.




A Civilização Inca



A civilização Inca surgiu no século XII, quando houve uma reunião de povos sob o comando do grupo quíchua ou inca, na região peruana de Cuzco. Estabeleceu-se um poder político em que o imperador investiu-se de autoridade religiosa, sendo visto como um semideus pelos seus súditos. A sociedade era hierárquica, tendo no topo da escala o soberano inca, depois seus parentes, os funcionários e os sacerdotes, formando a elite. Abaixo estavam os camponeses.




O Império Inca (Tawantinsuyu em quíchua; na realidade inca era apenas o imperador) foi um estado-nação que existiu na América do Sul de cerca de 1200 até à invasão dos conquistadores espanhóis e a execução do imperador Atahualpa em 1533.






O império incluía regiões como o Equador e o sul da Colômbia, todo o Peru e a Bolívia, até o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital do império era a atual cidade de Cuzco (em quíchua, “Umbigo do Mundo”). O império abrangia diversas nações e mais de 700 idiomas diferentes, sendo o mais falado o quíchua.


A população vivia em pequenas comunidades agropastoris, localizadas em aldeias, formadas por famílias, os Ayllus, sob a chefia de um Kuraka (cacique).





Machu Pichu, no Peru, pertenceu ao Império Inca.




A sociedade inca era uma sociedade de servidão coletiva, que se dava principalmente mediante a mita, o trabalho forçado dos aldeões na realização das obras públicas e outros serviços.




Texto e Contexto

A Mita


“Inspecionamos em Chinchao [no atual Peru] 33 índios que estavam encarregados das folhas de coca; eles chegam aqui vindos de todas as colônias...” (Ortiz de Zuñiga. Visita de La Província de Huánaco, Peru, 1562.)




Os mitaios eram também os responsáveis pelo trabalho nas terras cultiváveis, na expansão imperial, construindo terraços agrícolas e canais de irrigação. Também construíam os caminhos públicos, pontes, edifícios, templos, etc. As mulheres trabalhavam na tecelagem e os homens no exército, como militares.



A Religião Inca


A religião era dualista, constituída de forças do bem e do mal. O bem era representado por tudo aquilo que era importante para o homem como a chuva e a luz do Sol, e o mal, por forças negativas, como a seca e a guerra.

Cena de Sacrificio da sociedade Inca. Códice de Magliabechiano. Séc. XVI.


Os incas ofereciam sacrifícios tanto humanos como de animais nas ocasiões mais importantes, maioria das vezes em rituais ao nascer do sol. Grandes ocasiões, como nas sucessões imperiais, exigiam grandes sacrifícios que poderiam incluir até duzentas crianças. Não raro as mulheres a serviço dos templos eram sacrificadas, mas a maioria das vezes os sacrifícios humanos eram impostos a grupos recentemente conquistados ou derrotados em guerra, como tributo à dominação.


Os incas acreditavam na reencarnação. Aqueles que obedeciam à regra, ama sua, ama llulla, ama chella (não roube, não minta e não seja preguiçoso), quando morressem iriam viver ao calor do sol enquanto os desobedientes passariam os dias eternamente na terra fria.


Os incas também praticavam o processo de mumificação, especialmente das pessoas falecidas mais proeminentes. Junto às múmias era enterrado uma grande quantidade de objetos do morto. De suas sepulturas, acreditavam, as múmias mallqui poderiam conversar com ancestrais ou outros espíritos.





A Civilização Maia






A civilização maia, ocupando uma vasta região da América Central, atingiu seu apogeu entre os séculos III e XI, organizando-se em cidades-estados.






Pirâmides de Comalcalco, sul do México.

A civilização maia foi uma cultura mesoamericana pré-colombiana, com uma história de 3000 anos. Contrariando a crença popular, o povo maia nunca “desapareceu”, pois milhões ainda vivem na mesma região e falam alguns dialetos da língua original.


O predomínio social cabia a uma elite militar e sacerdotal, de caráter hereditário, comandada pelo Halach Uinic, responsável pela administração e cobrança de impostos. Nos arredores das cidades ficavam as aldeias de camponeses submetidos à servidão coletiva.


Os Maias construiram enormes piramides nas grandes plataformas onde se realizavam cerimônias públicas e ritos religiosos. Sendo grandes construtores, os Maias construíram também os palácios, geralmente muito decorados, próximos do centro das cidades e hospedavam a elite da população.


Os Maias desenvolveram um sistema de escrita (chamada hieroglífica por sua semelhança com a escrita do antigo Egito, com o qual não se relaciona) que era uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas. É o único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma escrito.





A Civilização Asteca








A civilização asteca (1325 até 1521) foi uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que reuniu um império que se estendia desde o México até o sul da Guatemala, com uma população de 12 milhões de pessoas. A capital era Mexihco-Tenochtitlán (hoje Cidade do México).





Os astecas eram um povo indígena da América do Norte, pertencente ao grupo nahua. Os astecas também chamados de mexicas (daí México) migraram para o vale do México (ou Anahuác) no século XIII.


A estrutura política era centralizada, sendo o imperador a maior autoridade asteca. O imperador dirigia a casta sacerdotal e as atividades religiosas, políticas e militares, o que se denomina de império teocrático de regadio.


Piramide de la Luna, Cidade asteca de Teotihuacan.


A sociedade era dividida em camadas rígidas, sem mobilidade social, tendo no topo os nobres e sacerdotes, seguidos pelos comerciantes (os pochtecas), e na base os grupos populares e escravos (prisioneiros de guerra).




Texto e Contexto


“Dois principales [caciques] em cada calpulli convocam o povo a providenciar o pagamento do tributo ou a obedecer ao que o governante tenha ordenado...” (Alonso de Zorita. Breve y Sumaria Relación, 1536.)




A posse da terra era comunal, cabendo às aldeias coletivas, chamadas de calpulli (“Grande casa”), o direito de uso da terra para o cultivo. Parte da produção servia para a sobrevivência das aldeias e o restante para pagar tributos ao Estado, sustentando os governantes. Era o predomínio da servidão coletiva.


A soma dos membros do calpulli (urbano e rural) formava o grupo social dos macehualtin. Em sua maioria, a forma de vida envolvia uma economia de auto-subsistência dentro de cada calpulli e obediência total a suas autoridades. Além disso, os aldeões tinham que pagar os tributos, servir ao exército e executar outros serviços ao Estado.


Na agricultura, as sociedades mesoamericanas praticavam o cultivo sazonal (por estações do ano), empregavam fertilizantes em suas plantações e tinham sistemas de irrigação (rega artificial).


Os astecas também criaram os chinampas, um tipo de canteiro flutuante, que eram estruturas artificiais de junco, cobertas com terra fértil, fundeadas no leito dos lagos por meio de estacas de madeira. Nos chinampas, os mexicas cultivavam flores e legumes frescos.


Outros elementos de grande importância na economia asteca do México antigo eram as praças de mercado e o comércio praticado pelos pochtecas, ou comerciantes. Os pochtecas, que faziam parte do calpulli, eram organizados em associações de comerciantes que possuíam, cada uma, seu diretor, chamado de pochtecatloque (“chefe dos pochtecas”).


Os mesoamericanos produziam objetos de pedra, como martelos, machados, facas. A madeira era utilizada para fazer furadores, flechas, dardos, clavas e a coa, ou vara de cavar usada na agricultura.


O ouro, a prata, o cobre e o chumbo, além de pedras semipreciosas, eram os metais conhecidos pelos mesoamericanos.


A religião era politeísta, havendo uma variedade de deuses, com práticas que envolviam toda a população, sendo comum o sacrifício humano. A religião demandava sacrifícios humanos em larga escala, particularmente ao deus da guerra, Huitzilopochtli.


Apesar de sacrifícios humanos serem uma prática constante e muito antiga na Mesoamérica, os astecas se destacaram por fazer deles um pilar de sua sociedade e religião. Segundo mitos astecas, sangue humano era necessário ao sol, como alimento, para que o astro pudesse nascer a cada dia. Sacrifícios humanos eram realizados em grande escala; algumas centenas em um dia só não era incomum. Os corações eram arrancados de vítimas vivas, e levantados ao céu em honra aos deuses. Os sacrifícios eram conduzidos do alto de pirâmides para estar perto dos deuses e o sangue escorria pelos degraus.


Os sacrifícios humanos eram realizados principalmente com escravos capturados em guerra. Para os astecas, a guerra era sagrada, pois por meio dela se obtinham os cativos para o sacrifício humano, elemnto de ligação entre a comunidade e o Estado. De fato, o sacrificio humano cerimonial e a guerra para prear cativos para os ritos sacrificiais eram as atividades centrais da sociedade mexica, o próprio ponto central de sua vida social, religiosa, política e militar.



Texto Complementar

O Sol e o Sacrifício


Huitzilopochtli (divindade asteca) é ao mesmo tempo o deus da guerra e uma manifestação do Sol, senhor do mundo. (...) O Sol tem fome e sede. Só a carne dos inimigos o nutre, só o sangue dos inimigos mitiga sua sede; para saciá-lo é preciso oferecer-lhe regularmente vítimas sacrificiais escolhidas entre os prisioneiros. Assim se explica por que a história dos Astecas é uma longa enumeração de guerras: era-lhes necessário renovar incessantemente seu estoque de cativos.

LEHMANN, Henri. As Civilizações pré-colombianas. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1965.



O Inca


O Inca, soberano supremo, é ao mesmo tempo uma divindade e transmite poder a seus filhos. Na presença dele humilham-se até os mais altos e nobres dignitários. Os direitos de vida e morte sobre seus súditos são absolutos, qualquer que seja o nível social deles. Religião, mitos, lendas e história foram deliberadamente fabricados por especialistas, visando a divinizar o Inca, fazendo com que sua vontade e seus excessos aparecessem como vontades de um deus.

POMMER, Leon. Os Incas.

14 comentários:

  1. isso e uma drogo la na frente ta uma coisa e quando abre e outra ,eu preciso fazer um trabalho de escola para dia 15 e ñ acho isso e uma po...

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  2. muito bom seu trabalho no blog. parabens!
    prof. CASTRO ABAETETUBA-PA

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  3. Muito bom,tudo esta bem explicado!


    By:Nathy

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  4. Muito bom!Roberta ,Profªde História

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  5. isso é tão bom que consegui fazer o trabalho de história muito bom amei isso

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  6. AAAAA gostei pena que vou ter que copiar --'

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  7. Obrigada professor,o conteúdo me ajudou muito..

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  8. ÓTIMO BLOG! Adorei. Tá ajudando muito.

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  9. o blog é bom mais ñ tem nada o que eu queria saber bjs .
    ass:tati

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